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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

Desconfiança

desconfiança 

A desconfiança é um sentimento que existe com bastante frequência nas relações.

O sentimento de desconfiança é diferente do sentimento de ciúme. Não é apenas na intensidade do sofrimento mas acima de tudo no grau de convicção em que se acredita no que se está a sentir e a pensar.

O ciúme dito “normal” acontece quando a pessoa percepciona alguma informação e interpreta-a como podendo haver uma ameaça à relação afectiva com alguém. Nessa altura surgem alguns pensamentos e sentimentos que mesmo podendo parecer ataques são defesas que a pessoa tem para proteger aquilo que é importante para ela. Na desconfiança parece que as coisas também são assim mas a intensidade é muito maior. Os pensamentos ganham uma força de “verdade” que é muito mais difícil de rebater que no ciúme. O sentimento é de que a perda da relação é muito iminente e real, sendo diferente do ciúme em que parece haver uma possibilidade. Na desconfiança parece haver dois registos de pensar, sentir e agir: o normal, no qual a pessoa é carinhosa, cuidadora, atenta, aonde existe serenidade, racionalidade, bom-senso; e o registo de desconfiança, em que tudo aquilo que se acreditava mudou, agora as verdades são outras, a forma de pensar e sentir é exactamente o contrário do registo normal, e as acções, o comportamento e as atitudes são de ruptura, perseguição e tentativa de comprovar que os motivos da desconfiança são verdadeiros.

E como que se no ciúme houvesse um “deixa cá ver se me estão a enganar” e na desconfiança é como um “sei que me está a enganar”.

A desconfiança assemelha-se a uma paranoia acerca de perder alguém que é especial e muito importante. Poderão até existir diferentes tipos de desconfiança consoante o nível de intimidade ou proximidade com os outros, mas a desconfiança que falamos aqui é aquela em relação a quem se tem uma ligação afectiva forte.

A desconfiança é um padrão de pensamento e sentimento aprendido com experiencias de indiferença, rejeição, abandono e troca por parte de alguém do passado da pessoa que foi ou é muito importante.

É um padrão de pensar e sentir que parece fora de controlo e que a pessoa só se apercebe que esteve nele quando já saiu e voltou ao seu padrão “normal”. O que acontece é que os efeitos devastadores, destruidores e aniquiladores do que se faz e diz quando se está no padrão da desconfiança são muito pesados, custosos e a pessoa sofre duas vezes. Durante o padrão da desconfiança e depois.

A outra pessoa, aquela que tem a “sorte” de ser amada por quem tem este padrão de desconfiança também sofre bastante. Porque até aprender a saber como lidar com a desconfiança do outro vai sentir e pensar que todas aquelas coisas são ataques pessoais.

Os padrões de pensamento e sentimento são aprendidos durante toda a nossa vida. E essa coisa de “eu sou assim” não existe. Por isso se se identificou com o que leu neste artigo, se percebeu a mensagem é porque você sabe o que é a desconfiança. Procure ajuda a quem lhe possa ensinar a pensar e a sentir diferente. Se leu este artigo e não percebeu nada, ainda bem é porque a desconfiança não é uma realidade da sua vida.

 

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publicado por Clínica Psicologia Lisboa às 11:19
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psicoterapiaDr. Pedro Albuquerque licenciou-se em Psicologia Clínica e do Aconselhamento, especializou-se em Psicoterapia de Grupo, Terapia de Casal e Coaching. Desenvolveu a sua práctica clínica no Hospital Júlio de Matos e em clínicas privadas. Possui estudos de doutoramento em Psicologia Clínica, pela Universidade de Coimbra. Formação em EMDR e Programação Neuro-Linguistica. É membro da Sociedade Portuguesa de Psicodrama, da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, da Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Construtivistas e da Associação Portuguesa para o Mindfulness. É fundador da Clínica Psicologia Lisboa.

psicoterapiaDr. Ana Teresa Marques licenciou-se em Psicologia Clínica, especializou-se em Psicoterapia Individual, Terapia de Casal e da Familia. Desenvolveu a sua práctica clínica no Instituto de Cardiologia Preventiva e em clínicas privadas. É membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar. É membro fundador da Associação Portuguesa para o Estudo e Prevenção dos Abusos Sexuais de Crianças e da Associação EMDR Portugal. É fundadora e Directora Clínica da Clínica Psicologia Lisboa.


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